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sobre o poder do intangível

Permeando pelo mundo da sociologia com Pierre Bordieu "Alta costura e alta cultura" e pelo campo da arquitetura com Adolf Loos "Sobre um pobre homem rico", depara-se com a representatividade do que é bem-visto.  A simbologia sempre foi muito presente na arquitetura, seja o símbolo do exótico, do belo, ou unicamente a simbologia do exclusivo, o que está a alcance de poucos. O fato de sua casa ter sido projetada por arquiteto X ou Y.  O fato de possuir um conceito ou uma ideia, o inatingível a muitos, é que desperta o sentimento alheio. O processo de criação está muitas vezes atrelado à expectativa de aceitação do público a que é destinado tal produto. Toda forma é forma de comunicação ao mesmo tempo que forma de realização. Ele corresponde, ainda, a aspectos expressivos de um desenvolvimento interior na pessoa, refletindo processos de crescimento e de maturação cujos níveis integrativos consideramos indispensáveis para a realização das potencialidades criat...

Cirurgia de Casas, Rodolgo Livingston

Quando se pensa em "cirurgia de casas", logo se faz uma analogia ao termo aplicado na área biológica, ou seja, o ato de tratar, realizar intervenções em traumas. E aqui Livingston pontua uma questão que relaciona-se intrinsecamente como o texto das autoras Silke Kapp, Priscila Nogueira e Ana Paula Baltazar: "arquiteto sempre tem conceito, esse é o problema". O "conceito" do arquiteto vem colocado em cheque desde seu período acadêmico: nas disciplinas de ares, desenho e, principalmente, projeto, o aluno é incentivado a quebrar volumes, criar ambiências, incentivar fluxos, fazer jogo de formas e volumes, inovar, produzir um espaço de um "nada". Os exemplos usados pelos professores são renomados profissionais, os chamados star architects , suas obras gigantescas, grandes ícones. O que se espera do recém-formado é que se espelhe nesses nomes, que deixe a sua marca.  A realidade, entretanto, nos mostra cidades com grandes problemas de infraes...

Koolhas Houselife – Ila Bêka e Louise Lemoine

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Koolhaas Houselife é um dos documentários da série Living Architectures que é composta por uma simples equação: pessoas comuns vivendo em espaços projetados por grandes arquitetos, como Richard Meier, Frank Gehry e Rem Koolhas. O filme em questão apresenta a personagem principal, a governanta Guadalupe Acedo, em sua sistemática rotina na Maison Bordeaux (1994-1998), projetada pelo escritório OMA/Rem Koolhaas. Vista externa da casa. Foto: Pinterest. Vista Externa. Foto: Google. A casa foi projetada para um casal, cujo marido é portador de necessidades especiais e usa cadeira de rodas e seu filho. Tal limitação física é o ponto de partida para o que os arquitetos chamam de “coração da casa”, um elevador-plataforma de 3x3,5m, que liga os três andares da casa com fluidez e permite ao marido, liberdade de locomoção em sua casa, bem como acesso aos livros, obras de arte e vinhos, localizados em estantes que formam um envoltório para o elevador. A residência é uma obra...

"arquiteto sempre tem conceito, esse é o problema"

De um artigo de mesmo título, as arquitetas Silke Kapp, Priscila Nogueira e Ana Paula Baltazar lançam várias inquietudes e questionamentos em qualquer estudante de arquitetura. Em todas as inúmeras disciplinas  de projeto que fazemos na universidade somos cobrados por fluidez, composição, ritmo, harmonia etc. Somos pressionados a apresentar o conceito da nossa ideia, como ela se encaixa com todas as condicionantes de forma a gerar um produto final satisfatório, sobre inúmeros pontos de vista: ambiental, construtivo, estético e formal. A arquitetura é um campo muito amplo, porém pouco explorado. A cada ano formam-se milhares de arquitetos urbanistas por todo o país e mesmo assim, ainda esse não é um profissional amplamente requisitado, principalmente pelas demandas populares. O Brasil enfrenta diversos problemas sociais e a habitação é um dos principais deles. Frente a problemas e dificuldades econômicos, as favelas, os "puxadinhos" e a auto-construção acabam sendo a ...

expectativas da faculdade de Arquitetura e Urbanismo

A faculdade de AU é um grande "buraco negro".  Antes de entrar, existe aquela "fama" a respeito da profissão: arquiteto é decorador? Ele projeta prédios e casas? Ele projeta cidades? As revistas e a mídia em geral mostram apenas a parte luxuosa da profissão: arquitetos ricos, bem-sucedidos e renomados em seus escritórios. Além de tudo, ainda são artistas, que desenham muito bem, fazem croquis e aquarelas maravilhosos...  Quando finalmente começamos o curso, é um balde de água fria e, principalmente a abertura de vários novos horizontes. A gente descobre que o arquiteto estuda história (e se apaixona!), estuda restauro, as cidades, que não precisa ser um artista, que trata de assuntos políticos, que ele também calcula e principalmente, que ele não só projeta, mas também entende to espaço, problematiza, é um ser polêmico etc etc.